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Dez video-clipes arrasadores
Junho 18, 2008 às 8:46 pm · Arquivado em Internet, Lista, Video-Clipe and etiquetado: Audiovisual, Imagem, Internet, Lista, MTV, Videos
Segundo Arlindo Machado, esses são os dez videoclipes mais arrasadores:
1- Drive (EUA, 1992). Peter Care para o R.E.M – O diretor Peter Care parece ter encontradado uma imagem capaz de sintetizar todo o espírito do rock: a imagem do vocalista Michael Stipe no momento que se jogo no meio do publico e deixa seu corpo ser levada ao léu pelo massa. A partir dessa imagem, o rock é interpretado como uma espécie de orgasmo coletivo, vivido por milhares de corpos em êxtase, polarizados ao redor do vocalista da banda. Nos dois solos de guitarra, um spot radiante de luz e um jato d´água dirigidos para os músicos parecem construir a metáfora de uma ejaculação coletiva.
2- Come to Daddy (Grã-Bretanha, 1997). Chris Cunningham para o Aphex Twin – O diretor Cunningham faz uma fusão exata de imagens eletrônicas (vídeo) e fotoquímicas (cinema), extraindo o melhor de cada tecnologia. Os personagens – um daddy longilíneo e um bando de anões pervertidos – são todos sexualmente indefinidos. À medida que os sons se desintegram em ruídos dissonantes, as imagens também vão perdendo sua definição figurativa e se reduzem a manchas e riscos disformes.
3- Mondo Vídeo (Grã-Bretanha, 1986). Musica e vídeo de Kevin Godley e Lol Creme – Os realizadores preferem não chamar esse tipo de trabalho de videoclipe, por causa de sua duração mais longa e também pelo fato de não se tratar mais de um promocional de disco (não existe um disco com essa música). Aqui, o instrumento é o vídeo: os realizadores improvisam durante horas ou dias para as câmeras e depois fazem a musica nascer na mesa de edição do vídeo, recombinando os fragmentos, como nas músicas concreta e eletrônica, com a diferença de que agora as imagens também fazem parte da musica. Uma auspiciosa antecipação do clipe do futuro.
4- People of the Sun (EUA, 1996). Peter Chistopherson para o Rage Against the Machine – A direção de Christopherson é poderosa, selvagem e tira proveito de toda a fúria do Rage para fazer um clipe verdadeiramente inovador. O toque de mestre está na utilização de cenas de Que viva México! (1932), o malogrado filme de Eisenstein sobre a revolução mexicana. Além disso, há o efeito de “queima” da película na passagem de um plano a outro e sobretudo os perigosos textos de ataque ao governo americano, que passam em alta velocidade na tela.
5- O Superman (EUA, 1981). Josh White para Laurie Anderson – White conseguiu transformar a simplicidade do primeiro formato de clipe num exercício rigoroso e quase minimalista de diálogo entre a câmera e os gestos de Anderson. Sobre fundos vazios, cenários desnudos e nada mais que um foco de luz, a dama da performance, mais sóbria, fria e andrógina do que nunca, canta o ocaso dos grandes mitos. O momento forte ocorre quando ela coloca uma fonte de luz dentro da boca: na penumbra, o movimento de sua boca parece emitir faíscas e raios por entre os dentes.
6- C´est comme ça (França, 1987). Jean-Baptiste Mondino para o Rita Mitsouko – Este audacioso videoclipe francês ironiza de forma cruel não apenas o espectador convencional de televisão, como também o aficcionado por videoclipes e o fã incondicional da música pop. Um macaco, com seu controle remoto,”zapeia” por todos os canais de televisão, mas em todos eles encontra sempre e inevitavelmente o mesmo programa, no caso, o concerto da banda Rita Mitsouko.
7- Fire on Babylon (Irlanda, 1994). Michel Gondry para Sinéad O´Connor – Gondry constrói tempos e espaços vertiginosos e labirínticos, além de forjar imagens bem pouco convencionais. Neste Fire, ele constrói uma casa claustrofóbica, reversível, cheia de paredes falsas, e nela coloca uma O´Connor vestida de Joana d´Arc, lutando contra máquinas carnívoras e desengonçadas que ameaçam esquartejar os moradores.
8- O silêncio (Brasil, 1997). Tadeu Jungle para Arnaldo Antunes – Tadeu Jungle propõe o sampler de imagens. O vídeo de Jungle lança mão de fragmentos de imagens “pirateados” de velhos filmes classe B ou comerciais de TV, modifica-os em computador através de processadores de imagem e, em seguida, os reutiliza num novo contexto, agregando ainda a imagem de Arnaldo Antunes.
9- Kuroi Junin no Onna (Japão, 1998). Hiroshi Ito para o Pizzicato Five – Temos aqui um trailer de verdade. O editor Hiroshi Ito constrói um trailer em forma de videoclipe, utilizando as imagens do filme de Kon Ichikawa Kuroi Junin no Onna(Dez mulheres de preto, 1961) e a música da dupla japonesa Pizzicato Five. Este trabalho japonês confunde de tal forma o clipe e o trailer, que ele tanto pode ser exibido como peça autônoma num canal de musica pop tipo MTV, quanto anunciar de fato uma reprise do filme de Ichikawa na televisão.
10- Ashes to Ashes (Grã-Bretanha, 1980). David Mallet para David Bowie – Foi com esse clipe que esse gênero audiovisual, pela primeira vez, se fez levar a sério. As imagens outonais da degeneração mental de Bowie, as figuras fellinianas que o circundam, as sugestões vagas de um lugar perdido no tempo, tudo isso exprimia uma possibilidade poética de que o clipe, até então, não tinha ainda se dado conta.